Poucas cenas explicam tão bem quem é Adriane Galisteu quanto aquele dia em que ela decidiu enfrentar o "patrão" ao vivo, vestida de pijama. O episódio, que vira e mexe volta às redes sociais, não foi um surto ou algo impensado. Foi um grito de guerra silencioso (e muito bem calculado) no meio de um dos momentos mais caóticos da carreira dela.
Tudo começou em 2004. A loira tinha acabado de sair de uma fase vitoriosa com o "É Show", na Record, e aceitou o convite do SBT com um salário astronômico. A ideia era o Charme, que deveria ser um programa de entretenimento clássico, com a cara dela. Só que, na prática, a banda tocou diferente!
Sob as ordens diretas de Silvio Santos, o programa virou um verdadeiro laboratório de testes. O horário mudava quase todo dia - foram 18 trocas ao todo - e o conteúdo era retalhado com jogos de telefone e interferências de última hora. Quando o "Charme" foi jogado para o meio da madrugada, a paciência de Adriane esgotou.
Foi ali que ela resolveu reagir com estilo. Em vez de brigar nos bastidores ou soltar uma nota oficial, ela entrou no ar de pijama. Um deboche fino. O que muita gente achou que seria o fim da linha para ela, acabou surpreendendo o próprio dono da emissora. Anos depois, no "Programa Raul Gil", ela lembrou da reação do Silvio: “Achei que fosse tomar bronca do Silvio, mas ele adorou”.
O que era para ser uma afronta virou um momento icônico de aprovação! Mas a convivência nem sempre era flores. Galisteu sempre foi detalhista, enquanto Silvio era o mestre do despojamento. Ela contou que, logo na chegada, pediu um cenário "espetacular" para estrear.
A resposta dele foi um balde de água fria: “Quando cheguei no SBT, conversei com o Silvio e disse que queria um cenário espetacular para o meu novo programa. Ele ouviu, mas me disse depois que não importava o cenário mas sim aquilo que eu tinha para falar para o público”.
Mas essa coragem de bater de frente não caiu do céu. Quem conhece a história da Adriane sabe que ela vem da Lapa, em São Paulo, e cresceu no "perrengue". Perdeu o pai cedo, aos 16 anos, e teve que virar o arrimo da família. Depois, enfrentou a perda do irmão para as complicações do HIV. Essa bagagem forjou uma mulher que não aceita ser colocada num cantinho, seja por executivo ou por grade de programação...
Duas décadas depois daquela madrugada de pijama, Galisteu segue dando as cartas. Hoje, no comando de "A Fazenda", ela prova que aquela mesma personalidade incômoda é o que a mantém no topo enquanto tantos outros nomes ficaram pelo caminho!
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